A esterilização
Saindo de
Betânia para Jerusalém, Jesus teve fome. “Ao ver, à distância, uma figueira
coberta de folhagem, foi ver se acharia algum fruto. Mas nada encontrou senão
folhas, pois não era tempo de figos. Dirigindo-se à árvore disse: ‘Ninguém
jamais coma do teu fruto’. E seus discípulos o ouviram. Passando por ali de
manhã, viram a figueira seca até as raízes” (Mc 11,13-14.20).
No episódio
acima, Jesus, através de uma ação simbólica, amaldiçoou uma figueira que não
tinha frutos, mas apenas folhas. E não adiantou a desculpa de que “não era
tempo de figos”. Por quê? Porque o cristão deve frutificar todo o dia.
Não há nenhum
tempo em que estejamos dispensados de dar frutos de caridade: “Meu Pai é
glorificado quando produzis muito fruto e vos tornais meus discípulos” (Jo
15,8).
Que dizer
então daqueles e daquelas que voluntariamente entregam seus órgãos reprodutores
ao bisturi a fim de se tornarem estéreis? Cometem um pecado grave. Mutilam o
próprio corpo, que é templo do Espírito Santo (1Cor 6,19), rejeitam a bênção
dos filhos (Sl.126,3) e atraem sobre si a maldição da esterilidade.
A Igreja
condena “a esterilização direta, tanto perpétua quanto temporária, e tanto do
homem [vasectomia] como da mulher [laqueadura ou ligadura de trompas]”*.
Pode haver
algum procedimento médico ou cirúrgico que cause indiretamente a esterilidade.
Imagine uma
mulher com tumor no útero ou um homem com tumor na próstata. É necessário fazer
uma cirurgia para remover o órgão doente, antes que o câncer se espalhe pelo
organismo. Tal cirurgia é feita para tratar o câncer, não para causar a
esterilidade. No entanto, como efeito secundário indesejado, mas inevitável, o
homem (após a remoção da próstata) ou a mulher (após a remoção do útero) ficará
estéril. Não é isso o que a Igreja condena. Ela condena a esterilização direta,
ou seja, aquele ato que tenha como fim ou como meio tornar a pessoa estéril.
Imagine que você, que tem os olhos sadios, resolvesse arrancá-los. Cometeria um grave pecado contra o próprio corpo, pelo qual Cristo pagou um alto preço (1Cor 6,20). Se você, porém, resolvesse arrancar ou estragar não os olhos, mas um órgão do aparelho reprodutor (as trompas de Falópio na mulher ou o canal deferente no homem), o pecado seria maior. Pois tais órgãos foram criados por Deus para a sublime missão de transmitir a vida.
A
esterilização direta continua sendo um pecado grave mesmo se feita “com boa
intenção”. Ninguém pode dizer a uma mulher que ela é “obrigada” a fazer
laqueadura, alegando que há o grave perigo de que ela morra na próxima
gravidez. Pois quem disse que ela é obrigada a engravidar? A gravidez não vem
por acaso, mas é sempre fruto de uma relação sexual. E a relação sexual é um
ato livre. Ninguém é “obrigado” a praticá-la. Se não convém para a saúde uma
nova gravidez, o casal pode muito bem abster-se das relações sexuais no período
fértil. É para casos como esse que serve a continência periódica.
Nunca é necessário nem lícito mutilar os órgãos reprodutores para evitar a procriação.
* PAULO VI, Humanae Vitae,
1968, n. 14.
(Descobrindo a Castidade. Padre Luiz Carlos Lodi. 2ª ed. Anápolis: Pró-vida Anápolis, 2018)
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