Carta 195 - Defender a cidade de tua alma
Para Estevão Maconi.
Saudação e
objetivo
Em nome de Jesus Cristo crucificado e da amável Maria, caríssimo
filho no doce Cristo Jesus, eu Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus
Cristo, te escrevo no seu precioso sangue, desejosa de te ver como verdadeiro
defensor da cidade de tua alma.
O cão de
guarda é a consciência
Ó filho caríssimo, a cidade da alma tem muitas portas. Três as
principais: memória, Inteligência e vontade. O criador permitiu que todas elas
possam ser atacadas, mas apenas uma não pode ser aberta pelo lado de fora, e
esta é à vontade. Assim acontece que algumas vezes a inteligência se obscurece
e a memória passa a lembrar realidades vazias e passageiras, com numerosas e
diversificadas imaginações, pensamentos desonestos e coisas semelhantes,
enquanto todos os sentimentos corporais ficam desordenados e arruináveis. Com
isto percebe-se que estas portas não dependem de nosso livre controle. Somente
a porta da vontade esta sobre nosso poder e tem como guarda o livre-arbítrio. É
uma porta tão robusta, que demônio e pessoa alguma podem abri-la, se o seu
guarda não consentir. Mas abrindo-se esta porta, ou seja, sendo dado o
consentimento ao que a memória, a inteligência e outras portas sentem, para
sempre fica desprotegida nossa cidade. Reconheçamos pois, filho, reconheçamos o
grande benefício e desmedido amor que recebemos de Deus, dando-nos posse livre
de tão nobre cidade. Esforcemo-nos em pôr junto ao livre- arbítrio um bom e
nobre guarda, que é o cão da consciência. Quando alguém se aproxima da porta,
latindo ele acorda a razão para que a inteligência veja se é amigo ou inimigo.
Então o livre-arbítrio deixara entrar os amigos, para que realizem boas e
santas inspirações; mas expulsará os inimigos, fechando a porta da vontade para
que não consinta as más imaginações que diariamente se aproximam da porta.
Assim fazendo, quando o senhor te pedir, prestarás contas a Ele, poderás
entregar a cidade salva e adornada com muitas virtudes através da sua graça.
Conclusão
Nada mais acrescento aqui. Como escrevi em comum a todos os filhos
no primeiro dia deste mês, chegamos aqui no primeiro domingo do Advento com
muita paz. Permanece no santo e doce amor de Deus.
Jesus doce, Jesus amor.
(Cartas Completas de Santa Catarina de Sena)
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